Todos somos Amy

Todos somos talentosos.

Temos talento em costurar abraços ao redor de quem gostamos. Fazer minar sorriso de onde estava vertendo lágrima. Temos o talento de disfarçar a dor e dela brotar consolo pro outro, mesmo quando temos pouco até para nós. Temos o talento de nos trancarmos em nossos afazeres diários por uma remuneração ingrata .Não importa o quanto ganhe. Pode achar que ganha muito ou o justo. O quanto vale sua vida? Sim. SEMPRE será um preço ingrato que nos vendemos.

Temos o talento da crença. O dom. É um dom acreditarmos no outro. No porvir, no invisível e ainda mais difícil: acreditarmos em nós.

Temos o talento musical. Cada célula está conectada com um som que nos faz bem. Não precisa ser exímio dançarino ou manifestar seus dotes “afinados” no banheiro, somente. Temos o talento embrionário de conectividade com música que cura, que nos traz de volta, que nos deixa acontecer.

Todos somos suscetíveis à loucura plena.

Todos nós um dia enlouquecemos de amor. Ou mesmo que não foi de amor, enlouquecemos.

Tenho quase certeza que a maioria de nós chorou uma noite inteira ou a maior parte dela e chegou a pensar que não tinha mais saída. Motivo? Você com o seu, eu com o meu, ela com o dela. Tivemos. Todos nós questionamos o bem e o mal. E os porquês nos visitaram. Mesmo que por frações de segundo, todos tivemos interrogações perturbadoras.

Todos temos medo.

Medo de barata, da grana não dar contar de tudo, do nosso cachorro morrer… De não agradar a pessoa que estamos beijando, de cair no meio da rua e passar vergonha. De perder nossos pais, de manchar a unha ao sair da manicure. De ficar pra sempre desempregado, de sermos assaltados violentamente, de que chova e estejamos sem guarda chuva. De sermos os únicos numa festa à fantasia COM fantasia. De nosso sorvete preferido cair no chão assim que acabamos de comprar. Da balança mostrar 5kg a mais. Do nosso amor nos deixar. De amigo nos magoar. De envelhecer sozinho. Da gente não acertar.

Todos arriscamos nossas vidas.

O danone estragado, o porre mal controlado, o remédio auto medicado, a corrida no farol amarelo, a queda perto de uma quina, a falta de filtro solar. A brincadeira perto da escada, a maldade alheia, a inveja do outro. O salto do pára-quedas, a transa boa e desesperada que ‘não dá tempo’ da camisinha, o elevador fora do andar, a infecção do estômago mal cuidada, a droga que ‘nem é’ tão droga assim. Eu me arrisquei, Marinalva se arriscou, Seu Rodrigues – sempre tão precavido – não trocou a mangueirinha do gás já vencida. Todos nos enxergamos (inconscientemente???) imortais.

Um ano que Amy Whinehouse morreu. Qual a diferença entre nós e ela?

“Todos somos talentosos
Todos somos suscetíveis à loucura
Todos temos medo
Todos arriscamos nossas vidas
Todos somos Amy”

Saudade. E que a paz finalmente a tenha encontrado.

Beijos e muita luz a todos!

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