E continuamos mandando lembranças ao Bom Senso!

Vivemos em um País onde a grande massa vota mal. Não por total culpa deles, mas por manipulação vergonhosa de políticos. Vivemos em um País com pouco subsídio governamental. Onde professores ganham infinitamente menos que deputados.

Onde um jogador de futebol é bilionário por seus dribles e um médico que salva muitas vidas em tempo record fica no anonimato, ganhando – depois de ter investido mais de 10 anos de estudo e empenho – uma mísera parcela do que realmente merece.

Um país que investe milhões para sediar uma Copa enquanto gente vende os próprios filhos para ter o que comer. Que não tem água, nem saneamento.

Amo o Brasil. Não trocaria minha nacionalidade por nada nesse mundo. Discordo das desconexidades que vemos, do abuso da ignorância, da super exposição do Carnaval sombreando as séries de dificuldades alarmantes. Discordo de um punhado de coisas. Mas tenho muito apreço e respeito por esse povo, que apesar dos pesares, vive batalhando. Que sobe e desce morro, que paga imposto suado, que levanta as 4:00h da matina para trabalhar e vê filho crescendo enquanto ele dorme. Que precisa de 4 conduções para se locomover e, durante algumas horas, fica em pé e apertado para defender o ganha-pão do mês. Essa gente toda que dá estudo que não teve para filho. Que acredita na verdade, na honestidade. Essa gente que não tem lazer de viagem de avião, de resorts, de visitar exposições. A grande massa tem como seu maior prazer a TV. Programas que o fazem rir e descontrair.

A liberdade de expressão que temos em função da Democracia, me permite expor o que eu acho dentro dos limites de bom senso e educação. 

Acredito que nós (e as pessoas que tem como hábito divertimento televisivo), temos por DIREITO o respeito de quem faz esses programas. Precisamos de qualidade, de humor, mas humor inteligente!

O que é o Pânico na TV? Eu assisti esse programa duas vezes para nunca mais. Acho um show de horrores apelativo. Banalidade sem fim. Triste. Respeito, claro, quem gosta. Viva a democracia, afinal. Eu, no entanto, não consigo coincidir minha inteligência com tanta sandice.

E ontem, lendo umas matérias na net, li uma carta aberta que Wagner Moura escreveu sobre o Pânico na TV.

Wagner Moura é um sujeito que admiro, meu ator favorito, que trabalha MUITO e muito bem em tudo que se empenha. Um brasileiro batalhador tanto quanto nós. Que estuda para aprimorar-se, que é pai de uma linda família. Por essas e outras, vou publicar aqui na íntegra a carta que ele escreveu. Não é uma carta recente, faz um tempinho até… O problema é que desde então as coisas só pioraram… Até quando? Por quanto tempo isso vai piorar? O que mais eles farão pelo desespero da audiência?

Divulguem se puderem. Porque tolerar um País com tantos problemas já é difícil e piora muito quando fechamos os olhos para falta de bom senso que as coisas estão tomando, para a falta de limite e respeito!

A Carta:

“Quando estava saindo da cerimônia de entrega do prêmio APCA, há duas semanas em São Paulo, fui abordado por um rapaz meio abobalhado. Ele disse que me amava, chegou a me dar um beijo no rosto e pediu uma entrevista para seu programa de TV no interior. Mesmo estando com o táxi de porta aberta me esperando, achei que seria rude sair andando e negar a entrevista, que de alguma forma poderia ajudar o cara, sei lá, eu sou da época da gentileza, do muito obrigado e do por favor, acredito no ser humano e ainda sou canceriano e baiano, ou seja, um babaca total. Ele me perguntou uma ou duas bobagens, e eu respondi, quando, de repente, apareceu outro apresentador do programa com a mão melecada de gel, passou na minha cabeça e ficou olhando para a câmera rindo. Foi tão surreal que no começo eu não acreditei, depois fui percebendo que estava fazendo parte de um programa de TV, desses que sacaneiam as pessoas. Na hora eu pensei, como qualquer homem que sofre uma agressão, em enfiar a porrada no garoto, mas imediatamente entendi que era isso mesmo que ele queria, e aí bateu uma profunda tristeza com a condição humana, e tudo que consegui foi suspirar algo tipo ‘que coisa horrível’ (o horror, o horror), virar as costas e entrar no carro. Mesmo assim fui perseguido por eles. Não satisfeito, o rapaz abriu a porta do táxi depois que eu entrei, eu tentei fechar de novo, e ele colocou a perna, uma coisa horrorosa, violenta mesmo. Tive vontade de dizer: cara, cê tá louco, me respeita, eu sou um pai de família! Mas fiquei quieto, tipo assalto, em que reagir é pior.

O táxi foi embora. No caminho, eu pensava no fundo do poço em que chegamos. Meu Deus, será que alguém realmente acha que jogar meleca nos outros é engraçado? Qual será o próximo passo? Tacar cocô nas pessoas? Atingir os incautos com pedaços de pau para o deleite sorridente do telespectador? Compartilho minha indignação porque sei que ela diz respeito a muitos; pessoas públicas ou anônimas, que não compactuam com esse circo de horrores que faz, por exemplo, com que uma emissora de TV passe o dia INTEIRO mostrando imagens da menina Isabella. Estamos nos bestializando, nos idiotizando. O que vai na cabeça de um sujeito que tem como profissão jogar meleca nos outros? É a espetacularização da babaquice. Amigos, a mediocridade é amiga da barbárie! E a coisa tá feia.

Digo isso com a consciência de quem nunca jogou o jogo bobo da celebridade. Não sou celebridade de nada, sou ator. Entendo que apareço na TV das pessoas e gosto quando alguém vem dizer que curte meu trabalho, assim como deve gostar o jornalista, o médico ou o carpinteiro que ouve um elogio. Gosto de ser conhecido pelo que faço, mas não suporto falta de educação. O preço da fama? Não engulo essa. Tive pai e mãe. Tinham pais esses paparazzi que mataram a princesa Diana? É jornalismo isso? Aliás, dá para ter respeito por um sujeito que fica escondido atrás de uma árvore para fotografar uma criança no parquinho? Dois deles perseguiram uma amiga atriz, grávida de oito meses, por dois quarteirões. Ela passou mal, e os caras continuaram fotografando. Perseguir uma grávida? Ah, mas tá reclamando de quê? Não é famoso? Então agüenta! O que que é isso, gente? Du Moscovis e Lázaro (Ramos) também já escreveram sobre o assunto, e eu acho que tem, sim, que haver alguma reação por parte dos que não estão a fim de alimentar essa palhaçada. Existe, sim, gente inteligente que não dá a mínima para as fofocas das revistas e as baixarias dos programas de TV. Existe, sim, gente que tem outros valores, como meus amigos do MHuD (Movimento Humanos Direitos), que estão preocupados é em combater o trabalho escravo, a prostituição infantil, a violência agrária, os grandes latifúndios, o aquecimento global e a corrupção. Fazer algo de útil com essa vida efêmera, sem nunca abrir mão do bom humor. Há, sim, gente que pensa diferente. E exigimos, no mínimo, não sermos melecados.

No dia seguinte, o rapaz do programa mandou um e-mail para o escritório que me agencia se desculpando por, segundo suas palavras, a ‘cagada’ que havia feito. Isso naturalmente não o impediu de colocar a cagada no ar. Afinal de contas, vai dar mais audiência. E contra a audiência não há argumentos. Será?”

Beijos e muita luz a todos!

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