Dica de boa leitura: Fernanda Mello

Não é novidade para ninguém que a grande paixão da minha vida é a leitura. E também gosto muito de brincar com as palavras e pôr no papel meus grilos, minhas borboletas de estômago, meus bichos todos que alegram ou me incomodam.

E tenho lido muita coisa boa por aí. Tenho tido a feliz surpresa de acompanhar gente talentosíssima aqui no Brasil que tem o dom de exteriorizar a alma através da escrita. Turma que tem cunho literário dos bons. E o que é muito legal: estão dentro do nosso tempo. Que discutem e poetizam lindamente sobre amor, amizade e cotidiano de uma forma tão leve e trivial que a maioria que lê pensa: “foi feito para mim”.

São gente de pensamento intenso, que estão sempre transbordando. Transbordam com sátiras os desdéns da vida, que se emocionam e nos emocionam. Que tem tiradas fantásticas que se encaixam em cenas que reconhecemos, que se expõem sem medo de acusações e impelem num papel muito bonito e sutil, que sejamos francos para com nossos sentimentos também.

Porque quando lemos uma situação colocada de forma engraçada sobre um fora que outra pessoa levou ou a sinceridade ao falar do dissabor de paixão, a gente cria coragem de falar disso também com menos medo de ser banal.

Tem quatro desses escritores que tenho sido fã e acompanhado frequentemente, inclusive me preparando para comprar os livros deles e colocar com orgulho na minha coleção. São eles: Tati Bernardi, Caio Fernando de Abreu, Marla de Queiróz e Fernanda Mello.

Gente, se não passaram nos blogs deles para conhecer, deem uma chegada até lá. São leituras viciantes e de muito bom gosto!

Hoje vou falar em especial da Fernanda Mello, uma lindíssima mineira que escreve singularmente bem. E ela tem postado crônicas digitais, mostrando-se ser também além de excelente escritora, uma ótima intérprete. Clique aqui para ver o blog da Fernanda.

O texto e vídeo que coloco aqui da Fernanda é :”Amar é punk”. Leiam e assistam. Se emocionem, se identifiquem, saboreiem… Se joguem!

AMAR É PUNK

Eu já passei da idade de ter um tipo físico de homem ideal para eu me relacionar. Antes, só se fosse estranho (bem estranho). Tivesse um figurino perturbado. Gostasse de rock mais que tudo. Tivesse no mínimo um piercing (e uma tatuagem gigante). Soubesse tocar algum instrumento. E usasse All Star.

Uma coisa meio Dave Grohl.

Hoje em dia eu continuo insistindo no quesito All Star e rock´n roll, mas confesso que muita coisa mudou. É, pessoal, não tem jeito. Relacionamento a gente constrói. Dia após dia. Dosando paciência, silêncios e longas conversas. Engraçado que quando a gente pára de acreditar em “amor da vida”, um amor pra vida da gente aparece. Sem o glamour da alma gêmea. Sem as promessas de ser pra sempre. Sem borboletas no estômago. Sem noites de insônia. É uma coisa simples do tipo: você conhece o cara. Começa, aos poucos, a admirá-lo. A achá-lo FODA. E, quando vê, você tá fazendo coraçãozinho com a mão igual uma pangaré. (E escrevendo textos no blog para que ele entenda uma coisa: dessa vez, meu caro, é DIFERENTE).

Adeus expectativas irreais, adeus sonhos de adolescente. Ele vai esquecer todo mês o aniversário de namoro, mas vai se lembrar sempre que você gosta do seu pão-de-sal bem branco (e com muito queijo). Ele não vai fazer declarações românticas e jantares à luz de vela, mas vai saber que você está de TPM no primeiro “Oi”, te perdoando docemente de qualquer frase dita com mais rispidez.

Ah, gente, sei lá. Descobri que gosto mesmo é do tal amor. DA PAIXÃO, NÃO. Depois de anos escrevendo sobre querer alguém que me tire o chão, que me roube o ar, venho humildemente me retificar. EU QUERO ALGUÉM QUE DIVIDA O CHÃO COMIGO. QUERO ALGUÉM QUE ME TRAGA FÔLEGO. Entenderam? Quero dormir abraçada sem susto. Quero acordar e ver que (aconteça o que acontecer), tudo vai estar em seu lugar. Sem ansiedades. Sem montanhas-russas.

Antes eu achava que, se não tivesse paixão, eu iria parar de escrever, minha inspiração iria acabar e meus futuros livros iriam pra seção B da auto-ajuda, com um monte de margaridinhas na capa. Mas, CARAMBA! Descobri que não é nada disso. Não existe nada mais contestador do que amar uma pessoa só. Amar é ser rebelde. É atravessar o escuro. É, no meu caso, mudar o conceito de tudo o que já pensei que pudesse ser amor. Não, antes era paixão. Antes era imaturidade. Antes era uma procura por mim mesma que não tinha acontecido.

Sei que já falei muito sobre amor, acho que é o grande tema da vida da gente. Mas amor não é só poesia e refrões. Amor é RECONSTRUÇÃO. É ritmo. Pausas. Desafinos. E desafios.

Demorei anos pra concordar com meu querido (e sempre citado) Cazuza: “eu quero um amor tranqüilo, com sabor de fruta mordida”.

Antes, ao ouvir essa música, eu sempre pensava (e não dizia): porra, que tédio!

Ah, Cazuza! Ele sempre soube. Paixão é para os fracos. Mas amar – ah, o amor! – AMAR É PUNK.

Beijos e muita luz!

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