Carpe Diem

A certeza absoluta é:

Daqui a 100 anos (no máximo) todos nós estaremos mortos.

Pare e pense com cuidado nisso. Eu falei no MÁXIMO, mas pode ser bem antes. Infelizmente temos a arrogância de acharmos que somos eternos e nesse papel, achamos que temos tempo de qualquer coisa, inclusive de desperdiçá-lo.

Tem gente que sofre feito Maria do Carmo em Rainha da Sucata toda uma vida. Se auto-flagela por infortúnio que ninguém mais lembra. Chora atrás da porta por amor perdido durante anos e anos. E pra que afinal de contas? Qualquer agravante de vida tem que ser notado, entendido e exorcizado. Posto para fora.

Quando você pára de dar casa, comida e roupa lavada para o infortúnio ou para dor, ela vai embora.

A questão é: a roda tem que girar. O tempo está indo embora urgentemente. Eu poderia jurar que ontem mesmo foi Natal. Que outro dia comemorava 20 anos. Por que insistir em prolongar a queixa? Tem gente que fica o dia todo lamentando porque tomou chuva de manhã. Porque tudo está errado por conta disso.

A chuva passou, o solo secou, o sol chegou, mas nada adianta. Existe o prazer do queixar-se. O prazer da vítima que o amor desfavoreceu (mesmo há 8 anos atrás), a má sorte de ter quase ganho na loteria (há 5 anos) e a injustiça que a família cometeu quando tinha seus maduros 7 anos de idade.

Não tem choro nem vela, amigo. Estamos aqui de passagem, estamos com os dias contados. E falo sério! Ninguém pode barganhar ou reivindicar extensão maior de vida de mais um século.

Existe o agora.

Existe essa chance.

Por que dar tanta ênfase a coisas tão pequenas? Por que lamentar por alguma coisa que supõe (apenas supõe) que está acontecendo ou vai acontecer? Por que vestir a roupagem de infelicidade?

Algumas pessoas supervalorizam problemas. Supervalorizam coisinhas.

Gabriel Garcia Marquez, no seu livro “Memórias de Minhas Putas Tristes” dá vida a um personagem que tem 90 anos e vive uma paixão recíproca por uma jovem de 14 anos. A pauta não é só do amor em si, mas o livro acentua o tempo que urge e o desespero do querer ter mais algum punhado dele nas mãos.

Quando éramos crianças no melhor da brincadeira, na parte mais engraçada, na hora que conhecíamos aquele amiguinho (a) mais legal, era a hora que os pais chamavam pra ir embora. “AaaaaAAaA mãe, jáááá???? Justo agora que está bom?” A festa estava lá o tempo todo. Os balões, os sorrisos convidativos. Os brinquedos e as crianças correndo de felicidade (só um parênteses: já notaram que as crianças ao brincarem apenas correm mesmo que essa não seja brincadeira em si – pega-pega ou esconde-esconde? Porque é tão urgente para elas se sentirem vivas e sentir a pulsação mais acelerada, todo o tempo aproveitadinho que… correm).

Tudo estava lá. A criança simplesmente tardou em notar que era só diverti-se. Que ninguém ia reparar que o tênis era 1 número maior, que o laço de fita estava caindo, que o dente da frente estava para soltar… Ela ficou lá parada por horas porque deixou que os “problemas” aproveitassem de si.

Eu tenho a idéia legal (nem sempre porque né… geminiana), mas tenho muito em mente essa coisa de qualidade. De tentar fazer que caibam 200 anos de vida em 100 anos ou 60 em 30. Dar uma enganada no timing.

A vida tem lá seus tropeços e a gente se dá conta que, por menos que gostaríamos, nos molhamos com lágrimas de dor. Mas ela também tem o prazer daquela comida temperada sem pressa, do vento na cara de carro em estrada, de beijo na boca demorado e carinhoso, de frio na espinha de paixão nova. Ela tem a glória do abraço, tem as gargalhadas de quem se ama. Tem falta de grana, tem dor de estômago, tem política torta, tem jornal da TV com notícia ruim.

Mas ainda tem tempo. Enquanto estamos vivos, todo tempo é sagrado de ser bom.

Permita-se experimentar a vida quente de colherinha como se faz com brigadeiro fresco. Permita-se apostar vezes no amor, no amigo novo, na mudança de cor de camisa. Vai, compra aquele vestido que você amou e sua amiga achou brega. E daí?

Permita-se abrir sua mão e deixar a mágoa depositada em algum banco solitário de qualquer praça e nunca mais volte. Deixe a mágoa ali, abandonada. Esqueça quem te causou. E importa, mesmo? De verdade? Toda vez que lembrar, todas as vezes doerá e por que? Se nesse tempo poderia estar amando a você, sendo sua companhia no cinema, encantando-se com novo livro ou delirando-se com seu filhinho?

Permita-se ser feliz! Abuse disso de A à Z, de ponta a ponta… Abuse do que é bom!

Nosso Pai Maior está nos avisando para aproveitar porque infelizmente um dia a festa acaba e não há esperneação que nos faça ficar.

A hora de fazer a festa valer à pena é agora.

A festa tá boa, vai ver você que está sentado no canto errado dela.

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